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Testemunhos de Andarilhos
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| Sinalização do trecho feito por placas que indicam rumo à seguir e quilometragem |
Nessa época ocorreram muitas enchentes, chuvas em excesso, queda de barreiras na BR 262, o que atrasou nossa chegada em Vitória 06 horas. Tudo bem, para dois peregrinos isso é tranquilo. O Fato é que não conhecíamos o ES, e sair da rodoviçria de noite e sem rumo seria perigoso. Telefonamos para o Lilico responsçvel da ABAPA www.abapa.org.br , contando nossa intenção em percorrer os Passos de Anchieta, ele nos direcionou para um hotel na Prainha - Vila Velha, e no dia seguinte iniciamos essa pedalada de 100 km até Anchieta.
Somente para lembrar, o roteiro Os Passos de Anchieta resgata o trecho de 100 quilômetros compreendidos entre Anchieta e Vitória que José de Anchieta percorria regularmente duas vezes por mês, o denominado "caminho das 14 léguas"que o jesuíta vencia na companhia - frequentemente na dianteira - dos guerreiros temiminós que o acompanhavam na missão de cuidar do Colégio de São Tiago, erguido num platô da Vila da Nossa Senhora de Vitória, hoje transformado no Palçcio do Governo, na cidade de Vitória.
Depois de passar dois dias debaixo de chuva, o dia amanheceu especialmente azul e ensolarado, conhecemos o Convento da Penha, cartão postal onde tem-se uma visão de 360º de toda a Vitória e Vila Velha. Incrível como o Espírito Santo é bonito. Descemos as ladeiras do convento e vamos pedalar. De início por praias urbanas de Vila Velha, até chegarmos à bucólica Barra do Jucú, onde nos encontramos com o Presidente da ABAPA, Lilico, que nos inscreveu, deu as credenciais, livro guia e principalmente: nos deu dicas preciosas sobre nosso roteiro. Após longo bate-papo voltamos a pedalar.
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| Com Lilico, fazendo inscrições e pegando o livro-guia e as credenciais - Praia do Jucú |
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| Na Pousada Porto Grande - comida caprichada e tratamento especial |
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| Pôr do sol nos Passos de Anchieta - ES |
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| Na Praia de Sta Mônica com um ciclista local, Rafael Trindade, que os acompanhou para conversar. |
Extraído de: http://www.caminhodesantiago.com/rotas_brasileiras/passos_anchieta/clinete/
Maria Clinete caminhou pelos Passos de Anchieta e nos enviou o seu diçrio. Nele Clinete relata cada momento de emoção e conhecimento ao longo desta rota brasileira.
Finalmente, o avião decolou. Uma hora e meia
atrasado.
A visão esplendorosa desta cidade maravilhosa de São Sebastião do Rio de
Janeiro, logo fez esquecer as duas horas no apinhado aeroporto de Santos Dumont,
prenhe de executivos engravatados e atores globais, como de costume.
Lili e eu, vestidas para matar, ou para caminhar, com nossas roupas dry fit,
mochilas imensas, botas de escalada, chapéus, fomos a atração daquela manhã.
Procuramos esperar na lanchonete do andar de cima, lugar mais discreto, mas
ainda assim, com muitos executivos e um casal de namorados ardentes que
enfrentava o calor da mesa colada ao fogão para ter maior privacidade. As
pessoas nos olhavam, mas como estçvamos no Rio, e carioca não dç muita bola
para esquisitices nem para personas, não se demoravam muito nesse olhar. Minha
amiga Olguinha apareceu, ia visitar a irmã em BH. E haja explicar a situação.
E na ida ao banheiro, encontro uma jovem jç bem saída da adolescência, mas
suspirando como dentro dela ainda, por ter dado o telefone ao Luciano Szafir.
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Praia da Cerca
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A Lili começou logo o proselitismo de
Santiago - um jovem mineiro, Daniel, se interessou pra saber a origem daquilo
e logo se transformou em candidato a candidato a peregrino. Depois foi uma
senhora de uns 60 anos, com uma prótese de quadril e o sonho de andar até o
Apóstolo. Informações, AASCBrasil, sites, e-mails...
A paisagem era deslumbrante e agradecemos ao marido Gustavo, da Lili, a escolha
dos lugares e nos divertimos em identificar as praias, até Saquarema. Depois
ficou meio confuso e o pessoal de bordo despreparado para informar o que a gente
avistava da janela. Como é que se faz uma rota vçrias vezes, a baixa altitude
e não se reconhece o que estç embaixo? Lembrei do meu saudoso amigo Paulo
Pinto. Por isso é que é ainda aeromoça....
Apareceram muitos prédios - Guarapari? Vila Velha? E finalmente o famoso
mosteiro da Penha. Tínhamos chegado. Eu surda, resultado da forte gripe que
ainda estava em atividade e se manifestava em espasmódicos acessos de tosse e
Lili, com o pé não muito católico, recém saído da imobilização
necessçria para o controle de uma torção. Resumindo: duas pouco sensatas
peregrinas...
Angela Dellaprani Ribeiro, peregrina e escritora, esperava-nos com sua irmã e
flores rubras, feitas por ela própria, com o centro de bombom Serenata de Amor.
Fomos para uma praia jç em Serra, literal norte, Manguinhos, com um visual de
pedras e ondas e areia de tirar o fôlego, comer uma autentica moqueca capixaba,
casquinhos de caranguejo, no Recanto do Pedrinho, preparando o corpo para seguir
os passos do atleta - apóstolo do Brasil. O carinho peregrino da Ângela se
acentuou no seu apartamento peregrino, com posters gigantes do Apóstolo Tiago,
do caminho francês, vieiras e cruzes de Santiago na decoração. Não
conseguimos esperar o dia seguinte e jç fomos buscar a credencial na Catedral.
O pessoal da ABAPA - Associação Brasileira de Amigos dos Passos de Anchieta
- ONG organizadora da caminhada (www.abapa.org.br), ainda estava montando as
barracas de atendimento, e nós duas azucrinando para apanhar os documentos,
comprar camisetas, chaveiros e pins, e eu, um bastão de andarilho para auxiliar
na caminhada. Jç ficamos para a missa e a Lili começou logo a chorar tão logo
o padre disse as primeiras palavras, com uma voz tonitruante, que não combinava
em nada com seu jeito pequeno e acanhado de recém ordenado.
Arrumadas as mochilas, perde tudo e acha tudo, conversas mil com a Angela e sua
gentil secretaria Ana, que depois nos deixou junto a uma deliciosa sopa, um
bilhete de estímulo; cutucadas nas andarilhas desistentes Valéria, Tilara e
Marisa, pela Internet, fomos pra cama, tentar dormir, o que realmente não foi
muito fçcil com a excitação do amanhã e os meus acessos de tosse.
Esta Caminhada revive o trajeto histórico feito pelo padre Anchieta no século
XVI, quando ele saía da Vila de Rerigitba, hoje a cidade de Anchieta, a 105 km
e ia até o Colégio São Tiago, hoje o Palçcio Anchieta, na Vila de Vitória,
a cada 15 dias. é feita de modo a terminar no dia 9, aniversçrio da morte do
jesuíta, hoje beato, o primeiro santo "brasileiro", entre aspas, pois, como
Inçcio de Loyola, era espanhol de nascimento, de Tenerife, nas Ilhas Cançrias.
O trajeto, originalmente feito em 3 dias, é realizado hoje em 4 dias e segue a
orla marítima, desvendando paisagens praianas de areias ora brancas, ora
amareladas e çguas de um azul celeste, celestial mesmo. é todo marcado por
pés e setas azuis, muito bem sinalizado e cuidado. Este ano foi feita a sexta
edição.
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Diçrio
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| 1º dia: | Vitória até Vila Velha ( Barra do Jucu) - 25 Km |
| 2º dia: | Barra do Jucu a Setiba - 28 Km |
| 3º dia: | De Setiba a Meaípe - 24 Km |
| 4º dia: | Meaípe a Anchieta - 23 Km |
Clinete Lacativa
Rio de Janeiro, Junho de 2003
Enviado por Maria Clinete